| https://share.google/3UAbdfOW24XJQ4ynI |
Vivemos em um mundo onde se tornou comum ouvir frases como: "não confio em ninguém”; errou uma vez comigo, já era”; perdoar é coisa de besta”; depois do que fez, não merece outra chance”; não deveria mais pregar ou cantar depois do que aconteceu”.
Essas falas revelam algo perigoso: a facilidade com que julgamos os outros usando a nossa própria régua, como se ela fosse perfeita, justa e definitiva. Agimos como se nossas conclusões fossem finais, como se não houvesse espaço para arrependimento, restauração ou graça.
Mas a Bíblia nos confronta duramente quando tentamos assumir esse lugar. O profeta Isaías declara:
“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam”(Isaías 64:6).
Nesse texto, Isaías revela duas verdades fundamentais.
A primeira é clara: somos imperfeitos diante de Deus. Nenhum de nós está em posição de pureza absoluta; todos carecemos de misericórdia.
A segunda verdade é ainda mais desconcertante: até aquilo que consideramos “justiça” própria é insuficiente (trapo de imundícia, o 'absorvente' usado pelas mulheres na época durante a menstruação) diante da santidade divina.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: somos realmente perfeitos a ponto de nos acharmos superiores aos outros?
Nossa mente nunca abrigou pensamentos maus? Nunca tivemos desejos errados, atitudes equivocadas ou falhas ocultas?
A Palavra é direta:
“Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 João 1:8,10).
Se hoje estamos de pé, não é por mérito, mas por misericórdia.
“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (Lamentações 3:22–23).
Jesus deixou isso claro quando ensinou que aquele que foi muito perdoado, muito ama (Lc 7:47). O problema é que, quando esquecemos de onde Deus nos tirou, passamos a tratar o erro do outro com dureza, como se nunca tivéssemos falhado. A memória curta da graça gera um coração longo em julgamento.
Não é à toa que Tiago faz um alerta severo:
“Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tiago 2:13).
Quando escolhemos não exercer misericórdia, não estamos apenas ferindo o outro; estamos assinando, sem perceber, a sentença que um dia será lida contra nós mesmos.
Por isso, todo cuidado é pouco. A régua que usamos para medir os outros um dia será usada contra nós.
“Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).
Tem gente que nunca precisou de muita clemência e não tem clemência pelo outro. Isso é perigoso, pois Deus pode permitir que passemos pelo mesmo processo pra entendermos o que é precisar de misericórdia. Tem ainda aqueles que são frutos de tamanha misericórdia divina, mas com o tempo, se esquece que só é o que é por causa da graça, e começa decidir sobre quem pode ou não pode ser alcançado pela graça. Mas quando não liberamos perdão, atraímos a resistência de Deus, e até os pecados já perdoados podem vir à toma.
Você já leu a parábola do credor incompassivo?
Leia em Mateus 18:23-35.
Quando chegar o momento de sermos julgados pelo mesmo padrão que usamos para julgar os outros, a pergunta final será inevitável:
Seremos achados inocentes… ou apenas carentes da mesma misericórdia que um dia negamos?
No fim das contas, só sabe o que é misericórdia quem já esteve no chão, precisando dela. E só permanece de pé diante de Deus quem entende que a graça recebida deve, obrigatoriamente, se transformar em graça oferecida.
Nunca compactue com o pecado, nem omita a verdade quando alguém errar e precisar ser exortado. Mas faça isso sem arrogância nem soberba; seja misericordioso e humilde ao corrigir, lembrando que todos somos totalmente dependentes da misericórdia de Deus.
A palavra misericórdia vem de dois termos: míseris (miserável) e cordia (coração). Significa tomar o miserável e trazê-lo ao coração.
Isso é graça em movimento.
Vivamos portanto, a misericórdia. Trazer o miserável ao coração é exatamente o abraço da Graça (Ef 2:8-10)!